segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Imperdoável

Amor e ódio se misturam
meu coração perturbado pela traição
te prometi meu amor
só isso não basta?
você me disse que era importante
palavras vazias?
O que eu sentia, o que eu sabia
eu tinha certeza
todos podiam ver meus sentimentos
eles estavam claros
esse homem velho
vivendo seus últimos dias
deixando uma vida de sonhos não realizados
esse homem sou eu

a desejo, ouça minhas palavras
a desejo, mas não a aceitarei
viverei sem você mesmo que seja pior que a própria morte
é o que eu quero, é o que eu desejo
essa é a minha escolha, minha promessa de vida
te amo mas te odeio
tire as palavras de meu coração
desejo ao meu lado mas se estiver cegarei meus olhos
o que você fez foi imperdoável

nunca livre, nunca vivo, sempre preso
que estranho, que perturbador
fui rotulado, fui odiado
nunca eu mesmo
lembranças que não consigo esquecer
tudo imperdoável

deite-se ao meu lado
diga-me o que sente
a porta está trancada
mas ela se abrirá se for sincero
os demônios fugirão de você
se eu não me entendo por que alguém deveria?
deite-se ao meu lado
sob a escuridão do dia
e a luz da noite
venha até mim, não vai doer eu juro

estou preso na solidão
possuo asas que não podem voar
possuo pernas que não podem correr
possuo voz que não pode gritar por socorro
um coração que não pode amar outro alguém
que nao seje você

seu coração negro
jamais será tocados pelos raios de sol
pegue uma chave
abra essa barreira em seu coração
viro as páginas
o livro se prossegue
atrás dessa porta...
devo abri-la para você?

doente, cansado e sozinho
passei meus dias assim
sem você não me senti mais vivo
meu fim tem seu início
e você poderia estar aqui, eu poderia estar aí
como você está?
nunca mais a vi
sacrificaria a tudo e a todos por ti
mas o que você fez foi imperdoável
a porta está fechada
eu a manterei trancada
a vigiarei para ter certeza que jamais será aberta
assim como meus olhos
que para você eu fechei
e jamais serão abertos

você não poderia estar aqui?
seria um desperdício
seria um desperdício
fui humilhado, fui destruído
para seu rosto eu não olharia
tua presença eu não admitiria
A ti eu jamais perdoaria
isso é mais do que eu posso aguentar ...

como saberia que nossa vida mudaria?
que nossas vidas tomariam novas rotas
que você seguiria o brilho de tesouro e ouro
e me deixaria às cinzas e à pobreza?
eu causava dor a mim mesmo com meus sonhos impossíveis?
você sofreu alguma vez?
foi sincera alguma vez?
eu tinha medo, vivia com medo
das coisas que eu sentia
sinto falta de sua presença
das coisas que me fazia sentir
sinto falta de suas mentiras e falsidades

como posso estar perdido se não tenho para onde ir?
estou perdido nas lembranças que revivo
nos sentimentos que me consomem
poderia arrancar meu coração? Não tenho nada a perder
como posso sofrer se de minha alma somente fragmentos restam?
eu que causo tudo isso pois não te perdoo?

eu pegaria um navio e fugiria de você
mas hoje ele está encalhado assim como minha vida
nada me leva para longe de sua presença
meu corpo está longe mas meu coração você possui
nada me separa de ti
nem a felicidade nem a tristeza
nem a vida nem a morte

não adianta migrar para novas terras
suas lembranças em mim vivem
te odeio e te amo
a linha ténue que os separa foi rompida
a linha do tempo parou naquele dia
sou um homem que espera
sou um homem que vive preso em correntes
correntes de lembranças e sentimentos
um homem parado no tempo
mas que não lhe perdoa
pois o que fez...
...foi imperdoável

Um comentário: