sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

onde passou a noite

minha querida diga sem mentir
onde passou a noite passada?

sozinha, sozinha
ao ar livre no relento
em baixo de pinheiros sem folhas
tendo a lua e as estrelas como cobertor
cachorros e mosquitos meus espectadores
pura verdade meu senhor

seu marido trabalhador esforçado
morreu afogado sabe-se lá por quem
corpo desaparecido
caso encerrado
memórias apagadas

me diga minha querida
onde você passou a noite passada

sozinha, sozinha
debaixo de pinheiros sem pinhas
onde os raios de sol não alcançam
onde a cobiça e o desejo não reside
onde minhas memórias tornaram-se vazias
onde virgens mantêm-se imaculadas

mentira reside em seus olhos
onde você passou a noite minha querida?

sozinha, sozinha
onde os pinheiros não possuem folhas e pinhos
onde vida não havia
por ti tremerei a vida inteira

onde você passará o resto de seus dias minha querida?

sozinha, sozinha
onde os pinheiros não possuem vida
tendo os cães e mosquitos como espectadores
onde cobiça e desejo não reside
onde manterei-me imaculada
onde minhas memórias tornarão-se vazias
e por ti tremerei a vida inteira

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