temos uma certa falha de comunicação
crianças com armas levantadas
senhores bebem para esquecer da vida
o fogo da guerra queima carne e ossos
somos lavados com mentiras e alienações
a parede da ética foi derrubada
houve diversas vezes
que contemplei memórias
fiz tudo à minha maneira
à minha maneira, à minha maneira
um segredo soprado ao vento
podemos soltá-lo mas jamais controlá-lo
eu e você estivemos aqui semana passada
a guerra emerge como ela quer
posso começa-la mas jamais controlá-la
ela segue o rumo que bem entender
perceba o ódio que aumentamos
perceba o medo que alimentamos
perceba as vidas que sacrificamos
perceba tudo isso
e pereça na vergonha
nossos filhos nascem com armas nas mãos
nós fizemos do nosso jeito
nós temos nossa maneira de perder
nós temos nossa maneira de comemorar a vitória
ó minha maneira
maneira...
os segredos passavam por meus olhos
a guerra reside em nós
em simples palavras ou atos
tudo o que construímos vem a baixo
irónico como coisas boas
morrem tão facilmente
e dão lugar as maiores catástrofes
minhas mãos estão atadas
bilhões caem de ambos os lados
só o que fazemos é abrir a contagem
e rezar por nós mesmos
pelo amor de Deus os direitos humanos
tudo isso é abandonado
pela mão sangrenta do genocídio
as aulas de história ocultam mentiras
mentiras que o tempo não perdoará
o homem ferido grita: que a paz dure para sempre
logo após uma bala atinge seu crânio
deixa para traz mulher e filho
é assim todo dia
não precisamos da guerra
mas ela precisa da gente
mensagens de paz
ao que me recordo é a morte de Getúlio
ao que me recordo é a morte de kennedy
aprendi a viver como se estivesse dopado
os sapatos que calçamos pisam em mares de sangue
caminhei sobre todas essas vidas?
eles alimentam ricos e enterram pobres
somos peças descartáveis
matadouros e armazéns humanos
uma graça não acha?
conviva com mentiras
conviva com mortes
conviva com desacaso
eu não me importo mais
pela guerra...
vendi meus sonhos e minha alma
conforme a guerra avança a paz se aproxima
conforme a paz se aproxima
uma nova guerra se avança
democracia de um povo sem poder
vidas sacrificadas pelos hipnotizados
a braçadeira negra é levantada
a matança continua
a velha senhora vai a estação todos os dias
seus filhos perguntam do querido pai
ela responde com um sorriso
"está lutando pela paz"
os dias passam e a história se repete
recebe uma carta vermelha
chuva de lágrimas sobre a mesa
os filhos perguntam do querido pai
a velha senhora responde com simpatia
"está num lugar melhor"
a senhora perde o valor pela vida
morre por uma doença qualquer
não queria mais viver
os filhos são deixados num orfanato
se separam conforme crescem e se tornam soldados
a mesma história se repete
filhos tidos
orfanato bombardeado
o paradoxo acabou
não precisamos de guerra civil
não ,nós não precisamos de outra guerra civil
domingo, 31 de janeiro de 2010
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