quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Papel manchado

Quando já não me suportava
ela me servia comida
toda embrulhada em papel manchado
essa velha senhora que chamo de mãe
não me olha nos olhos
eu olho ela as vezes
seus olhos são verdes não são?
não sei como qual cor é chamada

as vezes me perco aqui dentro
jornais sujos de tinta forram o chão
quadros com velhas pinturas nas paredes
parece faxina tudo de ponta cabeça
jornal suga tudo
como o sangue suga a vida

as janelas negras arranhadas
arranhões feitos por mim
raspei até ficar sem unhas
adesivos velhos na janela
se eu tivesse cama ela teria alguns

por que não podemos correr?
só vejo velhos indo embora
eles vem descaradamente até nós
apontam um dedo
adeus papai
adeus mamãe

feixe de luz vem do céu
leva tudo embora me deixa órfão
entendo por que tenho amigos ridículos
antes comer lixo que não comer nada
estendo a mão a cada um
abra os olhos
que se tenha início
o nosso ragnarok

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