receptáculos vazios, esculturas de barro
a distância dela para mim era perturbadora
eu quase podia toca-la
toda minha atenção girava ao redor dela
como a terra em relação ao sol
lhe ensinei tudo
menos a não fazer sofrer
caio com minhas mãos sobre cacos
o sangue escorre e tinge o céu
lembranças de um passado tingido de preto
tudo se escurece, tudo perde seu brilho
o verdadeiro significado desaparece dentre trevas
trabalho manual perde seu valor
eu não sou nada, nunca fui importante
como pode ser verdade? como pode?
não serei mais que uma memória vazia
uma vida sem sentido acorrentada à escuridão
ando lá fora
as crianças brincam
suas risadas correm por todo meu corpo
então por que choro?
pensamentos odiosos
todos ao redor de minha cabeça
todos me jogam à escuridão
caio sobre aquela mancha negra
meu rosto, minha palmas, meus pés
tudo tingido de preto
minhas mãos cortadas pelo tempo
hoje brincam com vidro
eu sei que você se tornará maravilhosa
talvez se torne uma estrela
tudo que eu pensei ser real torna-se falso
meu amor transforma-se em ódio
o que achei ser bom tornou-se mal
minha alma tornou-se negra como o espaço
minha vida tingida de preto
tatua tudo que eu sou, tudo que eu vejo, o que eu sinto
você será uma estrela
viverá no céu de outro alguém
mesmo que esse céu seja cheio de estrelas
meu céu está destinado a fadar na escuridão
por que? por que? por que?
a vida parece que vai deixar de existir
por que não faço nada para impedir?
não vejo uma razão para tentar
não vejo alguma coisa em que possa acreditar
não é fácil aceitar que fui pintado de preto
a escuridão cresce e toma a aurora
o que mais poderia ser
além de meu último adeus?
minhas memórias todas tingidas de negro...
meus pensamentos giram, estou girando
o que mais poderia ser
além de meu último adeus?
um adeus tomado pela cor negra...
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
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é seu melhor heim
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