sábado, 27 de fevereiro de 2010

o lugar a que pertenço

eu sou a solidão
eu sou a agonia
pra ter um fim
primeiro tem que haver início
para sofrer
primeiro tem que se importar

eu não tinha nada a dizer
me perdi dentro de mim mesmo
me perdi num vazio infinito
seria eu o único
preso em pensamentos nefastos?
o vazio que as palavras me revelaram
é a única coisa que ainda sei que é real

eu quero me curar, não há cura
quero me mudar, não há lugar que eu pertença
quero sorrir, tristeza não permite
quero viver, a morte me almeja

me separei vou me encontrar
não vou conseguir até fazer sozinho
nunca saberei o que é a verdade
mesmo que a taquem em minha cara
mantenha isso em mente
sou uma criança decadente
fiz essa rima pra mostrar que sou inútil
eu vou me confiar em você
eu vou me desperdiçar em você

eu sei, tudo que eu sei, nada sei
o tempo valioso e curto
os ponteiros funcionam como pêndulos
contagem regressiva para o fim do dia
o relógio suga a vida

eu fui parar na cruz
pois eu fui aquele que pecou
sei que nunca mais ficarei bem
mas é assim que termina
foi assim que eu escolhi

tudo desmoronou
tudo caiu
está perto do fim

um pouco de negação
um pouco de negligência
um punhado de reclamações
quero dividir com vocês
não posso estou sozinho
o tempo não cura essa ferida
a cicatriz afasta brancos e negros
um pouco inseguro
um pouco inconfidente
não vou mais ser ignorado

eu não sinto mais...
como um dia senti
não vire as costas
não diga nada
vida após a morte
céu e purgatório
não vou mais ser...
deixado de lado

me tornei tão insensível
que não a vejo ao abrir a porta
me tornei tão cansado
que não posso respirar sem suar
não consegue ver o que está me oprimindo?
tem medo que eu perca o controla
eu me tornei tão cansado
mas muito mais ciente
preciso encontrar
o lugar a que pertenço

viver, viver
curar, curar
lutar, lutar
preciso encontrar
um lugar para morar

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