no topo das colinas
se divertia desenhando montanhas
tempos difíceis nada poderia salva-lo
sozinho num corredor
correu e se trancou
as ondas o derrubavam
ele se levantava para cair de novo
olhe para ele
braços abertos como o mar ao chão
erguia-se para o céu
braços erguidos faziam um V
tempo passado
no orfanato foi deixado
veja-o na escola
aluno reprovado
tem chaves para cadeados
as vejo em toda parte
outro natal sem noel
outro dia sem papai
filho sem papai
realmente tão terrível?
Juarez senhor sem caminho
está desempregado outra vez
claramente eu me lembro
pensamentos distantes e perdidos
não possuem utilidade
mamãe não dá carinho
papai não respira
minha garganta está seca
ressecada como muro ao sol
ferimentos profundos e sem cura
passa a noite no bar
ressaca sem controle
dor insuportável
fato se repete toda noite
podemos nos acostumar a dor
passado distante
o garoto era algo
o garoto não tinha nada
dor na perna um furo no olho
vivia alegremente
a dor não era problema
viver sem rédeas viver feliz
viver apenas por viver
podemos nos acostumar à dor
mamãe não gostva dele
por ele papai morreu
abandonado as cinzas
destino dos ratos
merecemos viver
isso foi uma pergunta?
o chamam de mendigo
mas continua vivo
isso foi uma pergunta?
Juarez senhor sem caminho
está desempregado mais uma vez
Juarez senhor sem caminho
fecha os olhos para dormir
Juarez senhor sem caminho
poucos por ele chorar
Juarez senhor sem caminho
muitas histórias para contar
Juarez senhor sem caminho
ninguém para o ouvir
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
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Gostei =)
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