segunda-feira, 1 de março de 2010

a flor

lhe ofereci uma flor
mas ela não possuía perfume
lhe ofereci meu beijo
você me disse não
lhe entreguei meu amor
quem recebeu não gostou
me humilhei para ti
quem observou não se importou

o poemas mais triste
é aquele que destrói um sorriso
a pessoa mais cruel
é aquela que destrói nosso coração
a pessoa mais triste
é aquela que sempre ama
mas nunca é amado

ofereci nova flor
ela aceitou de bom grado
rapidamente se virou e foi embora
novo dia ação se repete
note meu esforço e meu carinho
não apenas de as costas e vá embora
diga adeus
anseio por sua voz

minha voz se entristece
aguardo em amiúde
essa alma devassa virá a compreender?
ser amigo ou irmão
isso eu não desejo
algum dia serei dono
do sorrio que quis beijar?
lágrima pinga na rosa vira sangue
meu coração adormece em inquietude

campo florido sem cores
rosas que pegava já murcharam
outono em plena primavera
os meus sonhos de amor serão defuntos
os arcanjos há de dizer quando verem
pensando em mim, por que não vem junto?

aquela que diz que tudo sabe tudo eleita
não precisa de mim, já é perfeita
aquela de saber vasto e profundo
com beleza incomparável a este mundo

quanto mais ao céu eu vou voando
quanto mais eu durmo mais eu vou sonhando
aos pés que andam em terra curvada!

enterro a última quimera
apenas em solidão essa pantera
lua cheia toda negra
fui teu companheiro inseparável
dói o coração com um espinho
cravado em ponto vital
se recusa simplesmente a morrer
prefere tudo que há de sofrer

som de vidros e cacos quebrados
arremessados sem perturbar o silêncio
o medo grita em meu peito como uma fera
me despeja o amor reprimido
a lembrança de um teatro corrompido
a carcaça de um homem deprimido

batizado sobre o vinho
bebê que cresceu sem fraldas
dois infinitos se assemelham
constelações do líquido tesouro
haja no mar e no céu
a eterna imensidade

a doce harmonia me traz a brisa
o vento que nas cordas assobia
albatroz! albatroz!
a semente jogada do céu à terra
novos frutos novas flores
novos sonhos, velho amor
albatroz me dê asas

do amor imerso águia do oceano
sabe encontrar a melodia dos céus?
o que encontro é canto funeral
de que serve uma flor sem ramalhete?
de que serve ramalhete sem amor a receber?

orquestra irônica estridente
sonho dantesco ininterrupto
passa por velos uma cadeia
pensa em mil magias
mais de que adianta perder a razão?

lhe entrego amor
te revelo esperança
não recebo resposta
um amor me deixa para traz
sozinho sem sorriso
minha vida chega ao fim
aguardo renascer

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