segunda-feira, 29 de março de 2010

meu trabalho

sem emprego sem identidade
meu emprego minha pátria
sem ele não sou nada
mas tudo que tenho
fome e um salário baixo
a saudade do que deixei me perturba
olhos tristes carregados
corações que choram sua dor

me dói saber
gente que tem mais do que precisa
gente que tem menos do que necessita
só o que preciso
é chegar cansado com os olhos fechados
correr em seus braços
sonhar com nosso ato consumado

se você não suporta o sofrimento
se você tem medo da miséria
viva sobre o orgulho
feche os olhos para o próximo
queria mudar ver todos felizes
mas tenho medo da miséria
me calo e sigo em frente

vou correr a seus braços
esquecer do muito que não temos
de esquecer o pouco que nos resta
e desejar não saber
tudo que sabemos que é verdade

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