há um lago em nossa represa
e nela vive uma velha senhora
que acredita que tijolos são ouro
e um pensamento puro é uma virtude
com calos em suas mãos
elas constrói uma escada para o céu
quando vai as compras sozinha
todos sabem seu nome simples e comum
ela vive afastada da família e amigos
mas sempre os liga sem ver mal nenhum
ainda guarda seu vestido e um véu
e com calos em suas mãos
ela constrói uma escada para o céu
ela deseja saber o porque das coisas
por que nossa vida se resume a trabalho
por que as palavras tem mais de um sentido
e porque viveu uma vida sem ter mentido
isso foi apenas uma ironia
estampada no cartaz de nossa cidade
de um rosto desgastado pelo tempo
com uma cicatriz que não cicatrizou
veja a sua dor e seu cansaço
respeito sua sabedoria e solidão
eu vejo quão longa é esta escada
e realmente me faz pensar
o quão distante nós estamos
do tão sonhado paraíso...
nossas palavras chegam até lá?
o meu espírito cansado chora
ao realizar uma despedida sofrida
nas florestas do quintal
o sabiá canta sua oração
olho para as nuvens com atenção
quantas pessoas ainda fazem isso
olhar as pequenas belezas do mundo
elas brincam com a gente
e as ignoramos por completo
o arco-íris desapareceu
mas ninguém ao menos percebeu
há sempre dois caminhos a seguir
o flautista ecoa sua canção
que me atinge como uma pedra feroz
um novo dia irá nascer novamente
e mais um dia para eles me suportarem
enquanto corremos pela estrada
a luz branca vem nos mostrar
o canto doce do rouxinol
e nos perdemos em coisas simples
e o trabalho da velha senhora
construído com calos nas mãos
hoje está a desabar...
quarta-feira, 9 de junho de 2010
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