sábado, 21 de agosto de 2010

pano de seda

as vezes eu percebia
que de tanto acreditar
naquilo que era impossível
meus olhos se fecharam para a realidade
eu fugia para uma outra dimensão
um dimensão onde o tempo era só meu
e a realidade era apenas uma opinião

tudo bem aos poucos
se tornava um livro aberto
ilimitado para meus olhos
em um idioma todo próprio
eu entendia já bastava
mas o livro só tem valor
se mais de um alguém o ler

tudo parecia sempre estacas de vidro
sempre jogadas e direção ao meu peito
vivi uma vida bela mas a tornava feia
hoje tenho o que eu sou
hoje eu não tenho nada
obter a felicidade pode ser fácil
difícil é perceber que um dia a teve

tenho o rosto mais perfeito
mas todos dizem que sou feio
compro um espelho e vejo
vejo o que todos vêem
a feiúra está nos olhos de quem vê
ou o feio é simplesmente feio
e nada mais?

na minha coberta de seda
eu penso como tudo é errado
que o simples é ser complicado
que nada funciona de primeira
e que o impossível simplesmente existe
ou depende do ponto de vista?

o ponto de vista é tão real quanto o ar
mas tão exato quanto uma mentira

domingo, 15 de agosto de 2010

O lago de Bright Falls

eu disse a verdade mais sincera
e mesmo assim ela se afogou
desenhe nossa trilha pela noite
é assim que alcançamos o destino
políticos deixam a janela aberta
escândalos e mentiras soltas ao ar

primeiro dia não achei o tesouro
talvez porque a noite caiu
aqui onde as estrelas sobem ao céu
e o sol se põe atrás das montanhas

as trevas de um lago solitário
ouvi dizer que as bruxas não podem morrer
a história um dia se acaba
mas boatos vivem para ressucita-la
nos seus olhos eu vejo
todo o céu da meia noite

veja o que nasce no horizonte
feche os olhos e pense com carinho
nas coisas boas que viveu
deite-se na cama e respire sua vida
é dessa maneira que alcançamos o destino

descanse e veja seu futuro
é assim que alcançamos o destino

terça-feira, 3 de agosto de 2010

novos poetas

você se lembra de um dia
ter ficado ao meu lado
sobre o chão hoje rachado
observado pelo bater de asas do céu
nossa visão definida
toda ocupada pela neblina
que tocou nossos olhos e corações
e virou nosso mundo de uma maneira
que ele jamais esteve...

se a memória um dia se apaga
acredito que talvez eu esqueça
que ficamos sozinhos neste campo
se aqueles que penso que me amam
não sentem minha ausência jamais
memórias sem valor podem ser apagadas

vire a página ainda a escrever
minha inocência está ferida
dentro de nós não há uma alma
dentro de nós há apenas a certeza
uma certeza de dúvidas ignoradas

quando o sol mais uma vez se por
nossas ideias se põe a descansar
com essa caneta um livro está a começar
moverei uma nação com minhas palavras
quando minha nação estiver a marchar
ninguém vestirá sua verdadeira face...

a arrogância sentimento que isola
o meu é meramente opcional
se me refiro ao isolamento
se me refiro a minha arrogância
não sei bem ao certo
talvez uma coisa leve à outra

quando o assunto é origem
cada um tem sua certeza absoluta
mas essa "absoluta" é meramente
o muro que isola uma casa vazia ...