quarta-feira, 15 de setembro de 2010

o maior dos idiotas

você viveu e eu vivi
ambos ao mesmo tempo perdido
a sujeira que entrou em vossos olhos
jamais chegaram a sair e a ser notadas
as nossas cinzas foram jogadas ao céu
carregadas pelo vento recusadas ao horizonte
recusadas uma vez por todos desse mundo
hoje cegam vossos olhos

você diz do tal sofrimento do que vê
mas você tem a sorte de não enxergar
toda a miséria desse mundo

digo gritando a meus olhos
ceguem-se
escondam-se
tranquem-se
não suporto o que vejo

eu não te amo
ela não me ama
ninguém ama mais
qualquer um diz eu te amo
eu te amo a qualquer coisa
sem nenhuma história verdadeira

o verdadeiro amor morreu
como os romancistas do passado

estou me afogando
aprendi da pior maneira

trabalho toda vez o dia todo
isso faz da minha vida um horror
e sei que isso não está certo
sou o maior dos idiotas
mas é isso ou nada
esforço em vão não reconhecido
nem ao menos por mim mesmo

eu amo você estou pronto e ancioso
para me livrar de minha vida miserável
mas o amor
gera ainda mais agonia
me apaixonei e digo eu te amo
com apenas 24 horas

eu escuto a porta do fundo bater
deve ser um jovem amante
fazendo atos de fato angustiante
a vida é um saco meu senhor

você se lembra mamãe?
do pássaro azul que vinha na janela
sempre junto dos pássaros vermelhos
sejam uma família sejam amigos
eles estavam sempre juntos
ele cresceu, viveu e se apaixonou
ele vinha a janela apenas com ela
depois ele retornou sozinho
deve ter esperado que o amor seria eterno
que a paixão era amor
não precisava de mais nada
abandonou os amigos
o amor não era amor
e hoje ficou sozinho

digo gritando a meus olhos
ceguem-se
escondam-se
tranquem-se
não suporto o que vejo

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