deitado em minha cama
que horas seriam?
17 horas talvez?
tudo vermelho
não gosto
me lembra o sangue
me lembra morte
me lembra o sofrimento
o desespero
estou falando de guerras?
não
estou falando de um simples por do sol
falo isso olhando da janela do meu quarto
para aquele céu vermelho
não o suporto
sinto uma leve brisa encostar em meu corpo
me pergunto
de quão longe vem essa brisa?
quantas pessoas sentiram esse leve toque que sinto nesse momento?
quantas são as intrigas que essa leve brisa presenciou?
quantas pessoas
sujas
que me recuso a citar nomes
essa brisa tocou
antes que me tocasse?
calafrios correm pela minha pele ao imaginar isso
quantas pessoas que fazem o mal essa brisa tocou
e agora ela carrega tamanha sujeira
não importa por onde passe
ou quanto o tempo passe
uma sujeira maior que os nossos rios
uma sujeira
maior que a nossa alma e consciência
começo a sentir nojo
ódio dessa maldita brisa
largue-me
esqueça que existo
suma de perto de mim
ó ser maldito
coberto de impurezas
me deixe a sós com minha própria amargura
nesse quarto escuro
sem ninguém para segurar a minha mão
sob esse asquerozo céu manchado de sangue
a brisa torna-se vento
maiores as impurezas que ela me traz
se uma simples brisa me traz tantas coisas negativas
imagine-se então uma ventania?
saia!!!
me deixem
sentimentos impuros
jamais deveriam sair de um feto
assim não espalhariam sofrimento
a humanidade não poderia manter
toda a bondade e ingenuidade dos bebês para todo o sempre?
a cada toque posso sentir a podridão humana
posso sentir crimes
posso sentir o ódio
daqueles ao meu redor
homens, mulheres e até mesmo crianças
todos são pecadores
por isso me isolo
como um ouriço
quanto mais eles aproximam-se uns dos outros
mais eles se machucam
a minha própria dor
já é mais que suficiente
não preciso de mais nada
saia
tenho medo de me machucar
tenho medo de sofrer
tenho medo de viver
assim como tenho medo que daquela escuridão adiante
vista do meu quarto
saia a mais tenebrosa das criaturas
preparada para devorar
o meu já enrijecido coração
mas acredito que ninguém desejaria uma coisa tão podre
e sem serventia
pois se um coração não serve para amar
ele não serve para mais nada
por que eu existo?
por que estou nesse mundo?
alguém de fato precisa de mim?
eu de fato preciso de alguém?
não seria melhor estar morto a ter uma existência tão patética?
se ao menos você estivesse aqui
será que essa brisa maldita
traz um pouco de sua pureza?
a pureza que tanto preciso para minha vida?
o meu nojo desapareceu por alguns segundos
e pela primeira vez ignorei tamanha impureza nesses toques desse vento
que antes eu considerava maldito
quis abraçar esse vento
quis acariciá-lo
quis que ele me levasse para perto de ti
no que criei coragem
e gritei alto para todos ouvirem
me leve contigo
aquele vermelho que deixou de me lembrar o sangue
aquele vermelho antes repulsivo
agora belo
foi manchado por trevas
se tornou noite
o vento desapareceu
ficou um clima terrível
e sentia falta
até mesmo dos sentimentos repulsivos
pois agora eu estava sozinho em minha própria agonia
olhava para o relógio em minha cozinha
tic... tac
esse era o som que ele fazia
corri para minha janela
à espera de uma nova brisa
que me trouxesse mais lembranças
mais sonhos
que me trouxesse aqueles mesmos sentimentos repulsivos
que amaldiçoei
e agora sinto falta
antes estar junto disso
do que totalmente sozinho
estou à espera de companhia
e uma nova esperança
de estar junto a ti
domingo, 7 de junho de 2009
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